O que é Repentismo Teste

Produzir poesia popular na hora, de improviso…

Fenómeno da cultura tradicional, o repentista é um poeta popular improvisador que, partindo de um tema, desenvolve toda uma retória em forma poética humorística, irónica e provocadora. Apesar de muitas vezes não terem elevada formação académica, os repentistas manejam a língua portuguesa com uma destreza virtuosística que surpreende os mais eruditos. Os cantadores conhecem os sons da língua melhor que ninguém e sabem combiná-los de forma harmoniosa num instante, de repente…

O que distingue um repentista de um poeta popular?

Repentista é uma especificidade dentro da poesia popular, inserindo-se no âmbito da literatura de tradição oral de uma região ou pais. O poeta improvisador cria os seus versos “na hora”, de repente… – daí o nome “repentismo”.

Só existe repentismo no Alto Minho?

Os “Cantares ao Desafio”, apesar de serem um dos expoentes da cultura tradicional do Alto Minho e de terem especificidades próprias que os distinguem dos demais, não são caso único no universo repentista. O ato de improvisar versos cantando, na hora, é praticado há muito, em várias latitudes e épocas da História. É algo que se encontra em distintas épocas da História da Música. Por exemplo: formas repentistas são utilizadas desde tempos ancestrais nos rituais religiosos, Budistas e Hinduístas – os Mantras.

Influenciados pelo judaísmo, os cristãos, desde o século IV, usam o Canto Antifonal e, desde o século VI o Canto Responsorial que, nos nossos dias, ainda pertence ao ordinário da missa católica.

Na Idade Média a música trovadoresca recuperou o ato de compor versos “na hora”, deixando marcas na cultura galaico-portuguesa. Ainda hoje podemos verificar a predominância das desgarradas e cantares ao desafio no Minho, em Trás-os-Montes e na Galiza, ou seja, na área de influência do contexto galaico-português.

Antes de Portugal se constituir como nação, numa época em que o falar do povo nas duas margens do rio Minho ainda não se distinguia e em que se desenvolveram as peregrinações a Santiago de Compostela, os peregrinos que atravessavam os Pirenéus vindos da Provença (França), recorriam frequentemente à poesia trovadoresca, nomeadamente às cantigas de escárnio e maldizer, como forma de distração pelo humor, a fim de melhor vencerem as longas distâncias que percorriam a pé. O aspeto humorístico e de improviso estava já contido nestas cantigas.

Curiosamente, no Novo Mundo, surgem em grande quantidade formas similares, nomeadamente no nordeste brasileiro. Sendo Porto Seguro o primeiro local de desembarque de Pedro Álvares Cabral em Terras de Vera Cruz, e sabendo que, entre os primeiros a colonizar o Brasil, estiveram os minhotos, podemos assim explicar como a forma repentista aparece replicada com tamanha veemência do outro lado do Atlântico. No Nordeste Brasileiro os “repentistas de viola” acompanham com este instrumento a “Cantoria” do virtuosos poetas populares que cantam de improviso sobre variados temas usando uma grande diversidade de formas poéticas: galopes, martelos, sextilhas, oitavas, mote de sete sílabas, decassílabos e muitas mais. Noutras regiões do Brasil como por exemplo no estado do Rio Grande do Sul, os cantores repentistas são designados por “trovadores”

Herança secular na vizinha Galiza são as famosas “Regueifas” – diálogos cantados a despique onde se cultivam o humor e a ironia.

Voltando ao Novo Mundo e mais próximos da nossa era, podemos encontrar no Son Cubano em geral e no Son Montuno em particular – géneros que são a raíz da Salsa e de outros ritmos afro-latinos – o canto repentista por excelência.

Desde os tradicionais Son Montuno cubanos até à Salsa mais contemporânea encontramos uma primeira parte onde o tema é apresentado na sua forma original (introdução, estrofes, refrão…) e uma segunda parte, designada montuno, onde el cantante inicia um canto dialético com o coro formado pelos restantes membros da banda. Neste canto improvisado a nível da letra e da música, o cantor responde a um refrão cantado pelo coro improvisando alternativamente novas melodias e palavras, desenvolvendo e aprofundando as ideias do texto original da canção

Ainda na América, surge no século passado o rap e o hip hop, géneros que manuseiam com destreza o ritmo da palavra. Nas suas famosas “Battle Rap” – os MCs combatem entre si, ao desafio, com as palavras e ideias que proferem, num combate verbal mais ou menos aceso, enquadradas num ritmo de fundo (beat).

Um dado curioso relativo à cidade de Nova York que serviu de berço quer à Salsa quer ao Hip Hop na mesma década de 70 do Século XX.

Sendo esta uma cidade de emigrantes, multicultural, organizada por bairros étnicos, a Salsa surge no Barrio Latino (habitado maioritariamente por emigrantes hispânicos ou seja, oriundos da América Latina, falando espanhol). Na mesma cidade e década, noutros bairros nos subúrbios negros de Nova York como o Bronx ou o Harlem (que fica mesmo ao lado do Spanish Harlem ou Barrio Latino), no seio das comunidades afro-americanas, surgem o Rap e o Hip Hop.

O canto repentista não sendo, assim, exclusivo do Alto Minho, é contudo aqui que reúne alguns dos seus expoentes máximos e caraterísticas muito próprias diferentes dos demais géneros populares que praticam a palavra improvisada.

O canto repentista é algo que a humanidade descobriu há séculos. Formas repentistas são utilizadas desde tempos ancestrais. Nos rituais religiosos, Budistas e Hinduístas usam os Mantras.

Influenciados pelo judaísmo, os cristãos, desde o século IV, usam o Canto Antifonal e desde o século VI o Canto Responsorial que, nos nossos dias, ainda pertence ao ordinário da missa católica.

Na Idade Média a música trovadoresca recuperou o ato de compor versos “na hora”, deixando marcas na cultura galaico-portuguesa. Ainda hoje podemos verificar a predominância das desgarradas e cantares ao desafio no Minho, em Trás-os-Montes e na Galiza, ou seja, na área de influência do contexto galaico-português.

Antes de Portugal se constituir como nação, numa época em que o falar do povo nas duas margens do rio Minho ainda não se distinguia e em que se desenvolveram as peregrinações a Santiago de Compostela, os peregrinos que atravessavam os Pirenéus vindos da Provença (França), recorriam frequentemente à poesia trovadoresca, nomeadamente às cantigas de escárnio e maldizer, como forma de distração pelo humor, a fim de melhor vencerem as longas distâncias que percorriam a pé. O aspeto humorístico e de improviso estava já contido nestas cantigas.

Curiosamente, no Novo Mundo, surgem em grande quantidade formas similares, nomeadamente no nordeste brasileiro. Sabendo que Porto Seguro foi o primeiro local de desembarque de Pedro Álvares Cabral em Terras de Vera Cruz, e sabendo que, entre os primeiros a colonizar o Brasil, estiveram os minhotos, podemos assim explicar como a forma repentista aparece replicada com tamanha veemência do outro lado do Atlântico.

O canto repentista não sendo, assim, exclusivo do Alto Minho, é contudo aqui que reúne alguns dos seus expoentes máximos e caraterísticas muito próprias diferentes dos demais.

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